Eelke Verhagen

Cooperante #355

Como é que chegaste a Rizoma? Cheguei à Rizoma depois de ter saído de outro projeto, que era numa quinta em Palmela, onde ajudávamos com a colheita, etc., e tínhamos um cabaz mensal, e só depois de ter saído daquele projeto é que entrei na Rizoma. Naquela quinta conheci alguém que fazia parte, também já tinha ouvido falar, em geral, da Rizoma, mas o Filipe Olival fazia parte da Rizoma e da Quinta Maravilha, e foi assim que cheguei aqui.

Qual é que é a tua coisa preferida na Rizoma (um produto, um espaço, uma memória)? A minha coisa favorita é o GTT Comunicação, de que já faço parte quase desde o início, portanto há três anos e meio, acho eu. Temos um grupo, um núcleo bastante estável, com pessoas muito fixes, e eu acho que temos uma dinâmica alegre e produtiva dentro do GT, portanto é o que gosto mais aqui.

Como é ser um holandês e tentar fazer comunicação na Rizoma? Há choques culturais? Com certeza, é de facto bastante difícil. Muita gente diz que eu falo muito bem português, pessoalmente acho que em grande parte é a pronúncia também, mas o meu cérebro tem de trabalhar muito mesmo, e portanto cansa, e nem sempre consigo encontrar as palavras certas. Portanto, comunicar dentro da Rizoma para mim pode ser um desafio, ainda mais comunicar em português, para a cooperativa e também para fora.

Eu trabalho na comunicação, porque sou editor de livros, mas faço tudo em neerlandês, portanto tenho de fazer uma transição quando chego cá à Rizoma, fazer tudo em português. É por isso que é importante também fazer parte de um grupo de comunicação com pessoas portuguesas, falantes nativos, e acho que assim conseguimos fazer uma boa comunicação e consigo, na verdade, ajudar, fazer a minha parte, com o apoio dos outros.

O que é que te frustra mais: reuniões infindáveis em que não se decide nada ou pedidos de última hora para colocar na Rizomidades? Escolho a A, com certeza. Eu às vezes tenho pouca paciência, quero mesmo chegar a resultados, fazer coisas, e é um desafio dentro da Rizoma também, em democracia interna, que requer um investimento de todos nós, requer paciência, e sim, portanto, é um desafio. Nem sempre gosto muito dessas reuniões, mas fazem parte.

Preferias levar a Rizoma para a Margem Sul ou encontrar uma casa aqui em Arroios? Eu preferia levar a Rizoma à Margem Sul, mas ao mesmo tempo acho que a Rizoma está bem aqui, portanto vou dizer que vou continuar a fazer a viagem a Lisboa, porque gosto de estar em Lisboa, mas gosto de viver na Margem Sul, perto da praia. Por exemplo, grande vantagem é que ao fim de semana não tenho de me meter no trânsito para chegar à Costa da Caparica, moramos muito perto, posso ir até depois do trabalho ainda às 17h, no Verão, dar um saltinho à praia. Estou bem na Margem Sul, o que é mais difícil ali é que falta a massa crítica que temos em Lisboa, e é por isso que um projeto como a Rizoma provavelmente teria muitas dificuldades em estabelecer-se, portanto eu vou continuar a viajar.

Como é que vês a Rizoma daqui a 5 anos? (Claramente não na Margem Sul…) Exato, sim, vai ficar aqui e isso até seria um muito bom sinal, se conseguirmos ficar aqui no prédio onde estamos a fazer esta entrevista agora, onde está a mercearia, o co-work. Construímos a nossa comunidade aqui e começámos isto há quatro anos atrás, espero que continuemos aqui daqui a cinco anos. O grande desafio vai ser, ou é, a sustentabilidade financeira da mercearia, portanto eu vou dizer que espero que daqui a 5 anos sejamos uma cooperativa saudável, em termos financeiros, mas também em termos sociais, com uma comunidade feliz, com apoio mútuo…

…boa comunicação!

Exato.

Boa, obrigada..

17 de abril de 2026