Cooperante #262

Como é que chegaste à Rizoma? Através de uma amiga de uma amiga. Durante um jantar, ela começou a falar da Rizoma e a minha amiga disse logo “Ah! Isto é a cara da Marisa! Fala-lhe mais! Fala-lhe mais!” E aqui estou eu.
Qual é a tua coisa preferida na Rizoma? Pode ser um produto, uma memória… A minha coisa favorita na Rizoma são as pessoas, os cooperantes, e a forma como coletivamente conseguimos fazer coisas tão fixes. E ter aprendido milhões de coisas, sobretudo em relação à empatia e, claro, cooperativismo. Mas acho que isso é a minha cena preferida da Rizoma e o que mais me tem feito não largar este projeto e despender muita energia, ou pelo menos alguma da minha energia neste projeto, porque acho que é incrível.
E se a Rizoma fosse uma fotografia, que imagem é que te vem à cabeça? É uma imagem, é uma fotografia muito feliz, para mim, com muito sol, com mar de certeza, com pessoas em festa.
Aqui no mar de Lisboa, não? Ya, aqui no mar de Lisboa.
Sentes que a Rizoma é um espaço onde usas as tuas mais valias-profissionais ou onde procuras explorar outros lados teus? Tipo, a tua expertise em vinho. Sim, tanto que decidi ser caixa porque odeio números e porque infelizmente tenho que lidar com eles na minha vida, então às vezes é fixe obrigar-nos a fazer coisas que não adoramos. Ao mesmo tempo é bué fixe fazer caixa na mercearia porque é um lugar onde acabas tendo mais contato com literalmente toda a gente que entra e sai. Mas depois, a verdade é que noutras coisas tenho muita ligação com o meu trabalho, é inevitável: eu não consigo fazer um turno em que não tire fotos e retratos das pessoas. É o meu vício.
Há uma cena também muito fixe que é: esta comunidade é de facto incrível, e muitos projetos nos quais quero trabalhar, já consegui trabalhar em algumas precisamente porque conheci pessoas na Rizoma que estavam ligadas a alguns projetos. Acho isso mesmo incrível, é uma fórmula que te encurta caminho para fazer as coisas além das que já fazes, que são mesmo fixes.
Tu trazes produtos agrícolas da casa dos teus pais, tipo citrinos. Como é que esta partilha com a comunidade te faz sentir? É super fixe, e eu não faço nunca aquilo que devia fazer, que era partilhar de onde é que vêm e tirar fotos de nós pendurados a apanharmos coisas…
Tens a oportunidade agora de fazer publicidade aos teus citrinos. A verdade é que é uma cena muito emocional, porque ou é do quintal dos meus pais – os limões vêm do quintal dos meus pais, que é na Margem Sul – ou vêm da Figueira, da casa dos meus avós, que já não são vivos, mas para mim é uma espécie de perpetuar de uma memória. Para mim aquilo simbolizam pessoas. E é bueda triste porque víamos aquilo sempre a estragar-se, e assim de repente é bem fixe porque obviamente que passo a vida a dar citrinos a amigos, e quem diz citrinos diz outras coisas que também trago de lá, só que aqui parece-me que é um bocado mais otimizado. Há menos desperdício, e é muito em que acreditamos e vai para pessoas ainda por cima das quais gostamos. Acho que faz todo sentido e sim, é mais uma cena incrível da Rizoma. Eu gosto mesmo, e às vezes até vou apanhar cenas com as minhas primas, tipo orégãos, que também já trouxe para a Rizoma e que é uma ótima desculpa para. Imagina, vamos fazer um passeio, vamos apanhar orégãos, e depois levamos para a Rizoma. Então, sim, é ótimo.
Uma última: como é que vês a Rizoma daqui a cinco anos? Espero que muito próspera, sem os desafios que temos hoje em dia financeiros e afins. Mas sei lá, acho que se estivermos aqui daqui a cinco anos já é incrível. Porque acho que é mesmo um trabalho de resiliência aquilo que fazemos todos os dias. Porque é muito difícil, não só manter esta estrutura, com todos os valores implicados, como manter a comunidade viva e interessada e a trabalhar para o bem comum e alinhada. E os tempos são muito desafiantes e as pessoas dispersam-se muito, e às vezes é bem difícil perceberem que é um projeto que só se faz se toda a gente trabalhar um bocadinho mais nele, que não basta… Sei lá, para algumas algumas pessoas vai bastar, obviamente virem cá fazer os seus turnos, mas para manter isto vivo é preciso um bocadinho mais do que isso. E tenho a certeza que se as pessoas perceberem melhor o que a Rizoma tem para lhes dar se calhar vão começar a despender um bocadinho mais de energia e não vão pensar tanto como sendo uma coisa que têm de fazer mas uma coisa que faz mesmo sentido fazer mais para construir algo mais fixe e que cresça e que tenha outras dimensões e que permita também trabalhar noutros projetos que nós queremos muito que também façam parte da cooperativa.
Boa, fica a dica. Obrigada! De nada.
12 de fevereiro de 2026